top of page
Buscar

Produtividade não é nunca cair. É continuar seguindo.

  • Foto do escritor: Felipe Figueirêdo de Carvalho
    Felipe Figueirêdo de Carvalho
  • 11 de jul.
  • 3 min de leitura

Oi. Caso você tenha chegado agora, eu sou o Felipe.

Sou pai. Marido. Médico. Professor. Corredor. Faço jiu. Surfo. Produzo conteúdo. Quero escrever um livro. Quero abrir um canal no YouTube. Quero viajar o mundo.


E, sinceramente, ainda quero fazer muitas outras coisas.


Às vezes eu me pergunto: será que existe tempo para tudo isso?

Durante muito tempo eu achei que a resposta estava em uma palavra: produtividade.

Quanto mais eu produzisse, mais tempo sobraria. Quanto mais eficiente eu fosse, mais experiências eu viveria. Mais projetos eu tiraria do papel. Mais versões de mim eu conseguiria explorar.


Mas existe uma armadilha escondida aí. Porque quando a vida vira apenas uma busca por "mais", a gente começa a acreditar que qualquer dia improdutivo é um dia perdido.

E eu já caí nessa.


Aqui na newsletter eu já falei algumas vezes sobre o mito da vida equilibrada. Hoje acredito ainda mais nisso.A vida não acontece em equilíbrio! Ela acontece em fases.


Existem semanas em que consigo treinar, ler, escrever, produzir conteúdo, estar presente com a minha família e ainda estudar.

Existem outras em que sobreviver ao plantão e brincar alguns minutos com meu filho já é uma vitória.


E nenhuma dessas versões deixa de ser eu.


Durante a pandemia, ainda no internato, fiz um desafio de 21 dias. Acordava cedo. Meditava. Escrevia um diário. Lia. Me exercitava. Cumpria uma rotina praticamente perfeita. Foi uma experiência transformadora. Mas também foi insustentável. Quando o desafio terminou, percebi uma coisa curiosa. O maior resultado não foi conseguir manter aquela rotina. Foi descobrir quem eu era. Descobri que eu sabia meditar, que eu gostava de escrever, que conseguia ler todos os dias, que o exercício fazia parte de mim.

Essas habilidades não desapareceram quando a rotina acabou.

Elas passaram a fazer parte da minha identidade.


Hoje talvez eu não leia todos os dias.

Nem escreva diariamente.

Nem consiga treinar na frequência que gostaria.

Mas continuo sendo um leitor.

Continuo sendo alguém que escreve.

Continuo sendo alguém que se exercita.

Faço tudo isso quando a vida permite.

E, quando ela não permite, eu sei que essas versões continuam existindo dentro de mim.


Acho que esse é o erro de muitos desafios de produtividade.

Eles fazem a gente acreditar que perdeu tudo depois do primeiro deslize.

Como se uma semana ruim apagasse meses de construção.


Mas identidade não funciona assim.

Uma árvore continua sendo uma árvore durante o inverno.

Mesmo sem folhas ela não deixou de existir.

Ela só está esperando a próxima estação. Nós também.

Existem momentos em que nada parece caber na agenda. E tudo bem.

O importante é não esquecer quem você já se tornou.

Ao mesmo tempo, também não quero usar esse pensamento como desculpa para deixar a vida completamente solta. É justamente por isso que estou preparando um novo desafio.

Não para buscar uma rotina perfeita. Nem para vender a ideia de acordar às cinco da manhã e vencer todos os dias.

A proposta é outra. Voltar a cultivar hábitos diariamente, entendendo que haverá dias excelentes, dias medianos e dias completamente caóticos. E todos eles fazem parte da jornada. A maior diferença desta vez será o compromisso. Não comigo. Com vocês.


Quero compartilhar o caminho inteiro.

Os dias em que tudo dá certo.

Os dias em que nada acontece como planejado.

Os dias em que vou correr.

Os dias em que vou falhar.

Os dias em que vou desaparecer porque a vida simplesmente pediu prioridade em outro lugar.


Porque, no fim das contas, produtividade não é nunca cair.

É continuar voltando.

E talvez seja exatamente isso que eu queira construir por aqui.

Não uma vitrine de perfeição.

Mas uma companhia de jornada.

 
 
 

Comentários


bottom of page